Entrevistas da Paris Review

Todos os lançamentos e opiniões cuja categorização não caiba nos sub-fórums alfabéticos permanecem aqui.
User avatar
Cerridwen
Edição Única
Posts: 7357
Joined: 01 Jan 2005 13:17
Location: Torres Vedras
Contact:

Re: Entrevistas da Paris Review

Postby Cerridwen » 07 Nov 2009 14:09

Thanatos wrote:Navegando por essa net encontram-se aqui e ali alguns blogues mais dados à literatura e os comentários (quando os têm) são de uma ou duas pessoas e quase sempre os mesmos. Vai-se para a literatura de entretenimento e é um sem número de «bué da fixes», «ca giro» e outras do género. O que eu me interrogo é se quem lê da tal literatura dita «séria» não sente vontade de falar dela, de comentar com outros o seu gosto, de explorar linhas de leitura, ideias.

Falando por mim. Quando gostei de ler um livro, não quero apenas escrever «muito bom», «adorei», «boa leitura». E para escrever algo mais preciso de pensar no livro, relfectir sobre o que li. Também gosto de colocar alguma informação sobre o livro e o autor, possivelmente por influência das recensões de Eduardo Pitta, que aprecio. Como tenho mais coisas para fazer e nem sempre consigo gerir bem o tempo, muitas vezes, os textos de opinião vão sendo adiados.

User avatar
Thanatos
Edição Única
Posts: 13871
Joined: 31 Dec 2004 22:36
Contact:

Re: Entrevistas da Paris Review

Postby Thanatos » 07 Nov 2009 14:24

Cerridwen wrote:Falando por mim. Quando gostei de ler um livro, não quero apenas escrever «muito bom», «adorei», «boa leitura». E para escrever algo mais preciso de pensar no livro, relfectir sobre o que li. Também gosto de colocar alguma informação sobre o livro e o autor, possivelmente por influência das recensões de Eduardo Pitta, que aprecio. Como tenho mais coisas para fazer e nem sempre consigo gerir bem o tempo, muitas vezes, os textos de opinião vão sendo adiados.


Concordo a 100% com o que escreves. Eu mesmo ando a sentir isso em relação a uma pequena recensão que estou a tentar alinhavar sobre Os Dias Tranquilos do Kenzaburo Oe. Por vezes os livros marcam-nos tão intensamente que éscrever apenas meia dúzia de linhas pareceria um desmérito à obra e ao autor. Compreendo esse sentimento e a falta de tempo.

Mas ao que eu me referia não era necessariamente que em cada comentário tivéssemos uma recensão e uma análise completa mas antes que houvesse alguma conversa, que se pegasse nalgum tópico.

Vou dar um exemplo: estou a ler A Conspiração contra a América do Roth que se pretende como história alternativa e analisa o que poderia ter sigo a gesta judaica caso a América não tivesse apoiado os Aliados. A certa altura temos um pequeno comentário a um selo de Einstein que me pareceu deslocado a mim que leio com olhos de quem já leu muita HA. Ou seja o dito selo foi de facto editado mas... do ponto de vista narrativo não poderia ter sido porque o próprio autor subverteu a história futura. Esta pequena discrepância poderia ser comentada. Isto é um exemplo do tipo de comentários que me parece que faltam.

Indo ao caso do blogue do David Soares está lá o exemplo perfeito do que eu debato. O Rafael Loureiro e a análise ao 2666. Vejam-se os comentários. Veja-se a tristeza argumentativa nuns e a ausência noutros.
Não importa como, não importa quando, não importa onde, a culpa será sempre do T!

-- um membro qualquer do BBdE!

urukai
Edição Única
Posts: 3232
Joined: 07 Aug 2008 23:35
Location: Lisboa
Contact:

Re: Entrevistas da Paris Review

Postby urukai » 07 Nov 2009 14:48

Esperem só até desabar sobre esse tal 2666....

User avatar
Steerpike
Edição Limitada
Posts: 1187
Joined: 07 Jan 2006 19:09
Location: Lisboa, Portugal
Contact:

Re: Entrevistas da Paris Review

Postby Steerpike » 07 Nov 2009 16:33

Thanatos wrote:Realmente parece mesmo que custa falar e distinguir o que se eleva acima da mediocridade.


E custa. Não porque seja difícil apontar o que o autor fez bem, mas porque apontá-lo não basta, há sempre uma contextualização literária/histórica/política a fazer, referências a explorar, camadas de significado a descascar como quem descasca uma cebola.

Quando um livro é mau, e digo mau sem os exageros do costume, falando da pobreza técnica que se descobre logo de relance, há tanto de negativo a apontar que as palavras se gastam antes de analisar as intenções do autor (que de qualquer forma são muitas vezes ingénuas e superficiais).

E depois não tem tanta piada dizer bem. A comédia vive muito da tragédia alheia. :wink:

Abraços,
Luís
The vorpal blade went snicker-snack!


Return to “Vários”




  Who is online

Users browsing this forum: No registered users and 2 guests

cron